27 de set de 2016

TRUMP E HILLARY DISCUTEM DEFESA, IMPOSTOS E TENSÃO RACIAL EM 1º DEBATE


Do G1, em São Paulo                                                           26/09/2016 22h20

Hillary Clinton e Donald Trump tiveram seu primeiro confronto direto na noite desta segunda-feira (26), no primeiro dos três debates marcados antes da eleição presidencial nos EUA. O encontro teve alguns confrontos mais acirrados, em temas como defesa, impostos e tensão racial, mas não trouxe maiores surpresas. Os rivais se apresentaram como se conhecia da campanha, reiterando posições e ideias que já vinham defendendo.

O evento aconteceu na Hofstra University, em Hempstead, no estado de Nova York, e teve como moderador Lester Holt, âncora do NBC Nightly News.

Uma pesquisa divulgada horas antes do debate mostrou que ambos chegaram ao evento emparados, com 46% das intenções de voto, de acordo com WashingtonPost/ABC.

Inicialmente, os candidatos foram questionados porque seriam a melhor opção para criar empregos que garantirão bons salários para os americanos. Hillary foi a primeira a responder e voltou a falar sobre a criação de uma economia mais justa, com investimentos em pequenos negócios e igualdade salarial entre homens e mulheres.

 Quando Trump respondeu, reforçando seu discurso de que milhões de empregos estão saindo do país e indo para lugares como México e China, e dizendo que irá criar empregos "como nunca se viu nos EUA desde o governo Reagan", Hillary lançou o primeiro ataque, comparando a trajetória de ambos. Ela afirmou que Trump começou seus negócios com milhões de dólares emprestados por seu pai, enquanto ela observou seu pai, que tinha um pequeno negócio, trabalhando muito duro para conseguir prosperar.

Acordos comerciais
Ao fim do primeiro bloco, o até então tranquilo Trump elevou a voz e passou a interromper sua adversária quando ambos começaram a falar sobre acordos comerciais e um passou a criticar os planos do outro em relação a impostos.

Hillary defendeu o aumento de impostos para melhorar a saúde econômica americana, e Trump defendeu a redução. Ele disse que as empresas estão deixando os EUA porque os impostos estão muito altos e que se elas voltassem ao país poderiam levar US$ 2,5 trilhões de volta. Hillary afirmou então que as propostas sobre impostos de Trump não causariam a volta do dinheiro.

Impostos
A polêmica do imposto de renda também foi resgatada, já que Trump é o único candidato há décadas que se recusa a divulgar sua declaração. O republicano disse que poderia contrariar os conselhos de seus advogados e divulgaria a declaração se Hillary revelar seus e-mails da época em que era secretária de Estado e usou um servidor particular.

A democrata respondeu que a recusa de Trump sugere algumas teorias: de que ele não seja tão rico quanto diz ser, que não seja tão caridoso quanto anuncia, que ninguém saiba exatamente quantos negócios ele tem ou ainda que ele não pague os impostos devidos - ao que Trump comentou, "isso faz de mim um esperto". Quanto à questão do e-mail, ela afirmou que reconhece seu erro e que já se desculpou e foi investigada e absolvida por isso.

Conflitos raciais
Ao abordar o tema dos conflitos raciais, tendo como exemplo casos recentes como os de Tulsa e Charlotte, Hillary disse que são necessárias ações para restabelecer a confiança entre a polícia e a comunidade e para garantir que a polícia use a força só quando necessário. Ela também critou a "epidemia de armas" no país e disse que o sistema judiciário precisa de uma reforma.

Trump reforçou seu discurso de "lei e ordem" e afirmou que há muita violência no país. Ele disse estar ao lado dos policiais e que os afro-americanos vivem em más condições. O candidato acrescentou que negros e hispânicos são os mais afetados pela violência e voltou a defender a adoção de revistas pessoais, chegando a desmentir o moderador quando este disse que a prática é proibida em Nova York porque foi constatado que justamente negros e hispânicos eram desproporcionalmente abordados.

Obama
Ao ser questionado sobre os anos que passou duvidando que Obama tivesse nascido nos EUA, o que apenas recentemente reconheceu, Trump afirmou que a polêmica foi criada pela campanha de Hillary em 2011 e que ele, na verdade, foi quem esclareceu os boatos e que fez "um favor ao país". Segundo Trump, foi graças a ele que Obama divulgou sua certidão de nascimento e encerrou a dúvida. O republicano não respondeu, porém, porque continuou questionando o assunto até janeiro deste ano, cinco anos após a divulgação do documento.

Cibersegurança e Estados Islâmico
Hillary voltou a acusar a Rússia por ataques cibernéticos, enquanto Trump afirmou que não há provas de que o país seja o responsável. A democrata insinuou que Trump seja próximo do presidente russo Vladimir Putin, e como resposta ouviu que o presidente Obama perdeu o controle de algumas coisas, entre elas a segurança virtual.

Quando o assunto foi Estado Islâmico, Hillary citou os avanços no Iraque, onde há a previsão de que o grupo terrorista será expulso até o ano que vem. Trump insinuou que o EI surgiu por culpa de Hillary e Obama, e criticou a forma como as tropas americanas foram retiradas do Iraque. Ele disse ainda que, caso "tivéssemos tirado o petróleo" do país, ele não teria ido parar na mão dos terroristas. Sua rival respondeu que o plano de retirada foi acordado por George W. Bush, antes de Obama assumir a presidência.

Ainda em relação à segurança nacional, Trump afirmou que tem mais juízo e um temperamento muito melhor do que o dela, e que sabe se controlar bem melhor. Hillary riu.

Armas nucleares
Ela então citou a instabilidade do republicano e o fato de ele ter dito que não se importa se outros países, como o Japão ou Coreia do Sul, tiverem armas nucleares. Ela disse que isso vai contra a política dos EUA, que quer garantir o menor número de armas nucleares possível no mundo todo. A candidata citou então o caso do Irã, que estava perto de construir suas primeiras armas quando começou a ser sancionado duramente, quando ela era secretária de Estado, e que isso interrompeu uma situação perigosa sem o disparo de um único tiro.

Trump voltou a criticar o acordo assinado com o Irã, dizendo que foi "um dos piores já feitos com qualquer país" e disse que países como Japão e Coreia do Sul deveriam se proteger por conta própria ou então pagar pelo apoio à segurança que recebem dos EUA.

Ao final do debate, mais uma provocação de Trump foi rebatida. Quando ele disse que sua adversária tem experiência, mas não uma boa experiência, e que falta a ela a energia necessária para ser presidente, Hillary respondeu que "quando Donald Trump passar 11 horas testemunhando perante um comitê do Congresso, ele pode falar comigo sobre energia", referindo-se a quando passou esse tempo respondendo a perguntas na comissão especial criada no ano passado pela maioria republicana da Câmara de Representantes para investigar os ataques contra a missão diplomática americana de Benghazi, na Líbia, em 2012.

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